Todos temos uma outra cicatriz gravada de uma forma mais física ou mais invisível aos olhos externos. Essas cicatrizes são marcas de guerras que sofremos, marcas do que lutamos, que passámos pela vida não de forma superficial, mas que fomos ao fundo dela, bebemos toda a dor e felicidade que vem incluída e voltámos.
Algumas cicatrizes são exactamente isso: uma marca de guerra, uma marca que nos prova que fomos à luta que demos e levamos, e como diz o provérbio ou frase popular "O que não nos mata torna-nos mais fortes".
Mas há outras que nos ficam gravadas de uma forma tão dura que nunca conseguem cicatrizar completamente. E quando não esperamos, algo as faz abrir, as faz infectar de novo e a dor volta, às vezes até sem grande motivo.
Eu tenho algumas deste último tipo. Cicatrizes que nunca mais me deixarão voltar a ser quem era, que quando tocadas magoam ou despoletam ansiedades e medos. Algumas já são tão antigas quanto o meu ensino básico e eu fui aprendendo a lidar com elas e consigo mantê-las mais ou menos fechadas, mas o facto de ainda não terem cicatrizado de vez assusta-me, assusta-me que sejam impossíveis de sarar...
Mas resta-me a esperança que a pessoa que eu me tornei pode não ser tão ingénua, tão confiante, tão boa, mas é mais sábia.
Pegadas em Areia
Uma marca efémera da minha passagem...
Sunday, January 22, 2012
Sunday, January 15, 2012
Tiago Bettencourt: Fome- Músicas da minha Vida
Esta música foi a minha primeira música dos Toranja... Bem esta música, mas a versão original, sem a parte dos Da Weasel! Lembro-me perfeitamente, estava na rampa já perto do portão de saída da minha escola do secundário com os meus amigos. E a minha melhor amiga saca dos "fones" e diz-me "Ouve esta". Eu, uma pequena inculta musical, que apenas ouvia Comercial e as músicas comerciais (perdoem-me a repetição), não sei como até gostei daquilo! Um dia ou dois depois a minha amiga trazia-me o CD copiado (ainda não se sacava músicas da net). E acabei por ouvir e ouvir e ouvir...
Hoje os Toranja já não estão juntos, eu e os meus amigos já não estamos muito tempo juntos, mas um dia já há uns anos, muito tempo passado o secundário, ouvi esta música e pensei que era a melhor música que podia descrever o que eu sentia lá...
Andava numa escola particular em que parecia que todos tínhamos que ser iguais. Eu que nunca consegui ser igual a ninguém, nem disfarçar bem o ser diferente, sempre me senti à parte. Tanto, que o meu grupo de amigos era um pequeno conjunto de "outsiders". E quando penso nos meus colegas, é realmente nisto que penso: " Sempre a/o mesma(o) (...)".
E este tema, esta "fome de_mais" era algo bastante constante, queria algo mais para a minha vida, não era feliz, algo que esta música expressa tão bem.
Por isso hoje deixo aqui esta música... Tenham fome!
Tuesday, November 01, 2011
Músicas da minha vidaa: Shivaree - "Goodnight Moon"
Esta é outra música cheia de recordações. Oiço-a e de repente sou transportada para o meu 11º e sou outra vez "just a litle baby" num karaoke estranho organizado pela escola no dia de ano, abraçada a um rapaz que conheci nessa mesma noite e que acabou por ser um dos meus melhores e mais antigos amigos.
Uma música que fala do medo de ficar sozinha à noite, mas que quando a oiço e quando me lembro dessa noite para mim ela significa sentimentos confusos, todo o receio de não pertencer aqui nem ali, o frio (não sei se é da minha imaginação mas acho que andei à chuva nesse dia=p)e a amizade... A amizade que surge como uma tábua de salvação a salvar um dia bastante difícil. Eu e esse amigo passámos essa noite de karaoke os dois juntos, excepto nesta música. E ainda hoje é daquelas amizades que eu guardo com especial carinho, como o resto dos meus amigos de secundário. Amigos estes que são os poucos ou únicos que quando me vêem (mesmo que seja poucas vezes) me dão um grande abraço, que manifestam o seu carinho por mim de uma forma tão simples e honesta como não conheço mais ninguém.
Por isso hoje oiço esta música e lembro-me, com saudades, deste meu amigo...
Tuesday, September 20, 2011
Entre dois mundos
No outro dia percebi isto: sou uma rapariga entre dois mundos, apanhada na mudança de tempos e gerações algures presa no meio. Estava muito animada agarrada a fazer um bordado com phones nos ouvidos a ouvir as minhas músicas de rock e a cantar cheia de força! Só eu...
Sunday, September 04, 2011
2005: o ano em que decidi ser feliz ou um caminho para a felicidade
Nem sempre fui feliz. Aliás na minha adolescência, algures entre o descontrolo de hormonas, as crises existenciais e a minha suposta solidão e o ser diferente, acho que era uma rapariga algo depressiva. Posso dizer que o meu caminho de mudança começou em 2004. Nas férias de Verão entre o 11º e 12º fiz um retiro que me marcou profundamente e que me fez um pouco (ou muito, quem poderá dizer?) do que sou hoje. Nesse retiro aprendi algo: Deus ama-me! E com isso veio uma coisa fundamental: aprendia a aceitar-me! Percebi que só tinha que ser o que eu era ou o que queria ser. Não o que os outros queriam que eu fosse, nem a "caixa" onde me tinham posto. Quando voltei para as aulas, a minha atitude tinha mudado um pouco. E foi aí que surgiu a minha trança, a mesma que tanta gente hoje em dia acha piada. O meu grito de revolta... Foi também nesse ano que surgiu o meu primeiro namorado...
Ainda assim, o fim do secundário foi uma benção. 2005, e algures entre a entrada para a faculdade, longe de todos os meus colegas, de todos os "carimbos" que me tinham posto, e o início de aulas que percebi uma coisa: queria ser feliz! E como não conhecia ninguém na faculdade, percebi outra coisa: agora eu podia ser quem eu quisesse! Foi algo libertador!
Entrei na faculdade com uma atitude completamente diferente. Queria conhecer gente, divertir-me, queria rir, rir muito! E foi assim durante bastantes meses... Mas ser feliz é um caminho, não só uma escolha, e eu tive ainda de cair.
Apaixonei-me outra vez e sofri bastante, uma e outra vez. Levantava-me e voltava a cair. Tenho aqui bastantes posts a documentar esta fase. Esta parte do caminho não foi fácil, e confesso, ainda durou alguns anos... Mas a decisão estava tomada. Eu queria ser feliz! Mesmo que às vezes me apetecesse afundar-me em auto-comiseração ou tentasse chamar a atenção com a minha dor. Nesta altura comecei a usar uma máscara. Sorria mesmo que muitas vezes não me apetecesse sorri. A menina dos olhos tristes, pensava eu. Já não eram as depressões/crises existenciais da minha adolescência, mas era uma tristeza que estava ali, escondida por trás do meu olhar.
Mas juro, ia usar tantas vezes essa máscara que se ia tornar eu! O sorriso aos poucos deixou de ser forçado e passou a ser espontâneo.
Foi ainda precisa mais uma mudança para ajudar a consolidar esta evolução. A licenciatura acabou e comecei o mestrado. Novas pessoas outra vez. Outra oportunidade! Desta vez já não foi preciso um corte completo com o passado, mas permitiu-me afastar-me daquele drama, daquele amor. E foi mais um passo...
Claro que ainda voltei a chorar baba e ranho, no semestre em Évora, aquele que eu costumo pensar como o "melhor e o pior da minha vida (académica)". Mas já não chorava por ser infeliz, chorava porque há coisas que têm que ser feitas, mas que magoam como tudo...
Hoje sou feliz. Afirmo-o com toda a certeza: EU SOU FELIZ! Mesmo quando vêm as vicissitudes da vida digo-o tantas vezes quantas sejam precisas para me convencer! Claro que tenho momentos mais tristes como toda a gente, claro que choro e bato com a cabeça. Mas esses momentos não são a imagem geral, são exactamente, momentos! Vejo a minha vida pintada de todas as cores, vejo borboletas, passarinhos, o que quiserem. Sou feliz... Por isso como dizia o Raul Solnado: "Façam o favor de serem felizes!"
Ainda assim, o fim do secundário foi uma benção. 2005, e algures entre a entrada para a faculdade, longe de todos os meus colegas, de todos os "carimbos" que me tinham posto, e o início de aulas que percebi uma coisa: queria ser feliz! E como não conhecia ninguém na faculdade, percebi outra coisa: agora eu podia ser quem eu quisesse! Foi algo libertador!
Entrei na faculdade com uma atitude completamente diferente. Queria conhecer gente, divertir-me, queria rir, rir muito! E foi assim durante bastantes meses... Mas ser feliz é um caminho, não só uma escolha, e eu tive ainda de cair.
Apaixonei-me outra vez e sofri bastante, uma e outra vez. Levantava-me e voltava a cair. Tenho aqui bastantes posts a documentar esta fase. Esta parte do caminho não foi fácil, e confesso, ainda durou alguns anos... Mas a decisão estava tomada. Eu queria ser feliz! Mesmo que às vezes me apetecesse afundar-me em auto-comiseração ou tentasse chamar a atenção com a minha dor. Nesta altura comecei a usar uma máscara. Sorria mesmo que muitas vezes não me apetecesse sorri. A menina dos olhos tristes, pensava eu. Já não eram as depressões/crises existenciais da minha adolescência, mas era uma tristeza que estava ali, escondida por trás do meu olhar.
Mas juro, ia usar tantas vezes essa máscara que se ia tornar eu! O sorriso aos poucos deixou de ser forçado e passou a ser espontâneo.
Foi ainda precisa mais uma mudança para ajudar a consolidar esta evolução. A licenciatura acabou e comecei o mestrado. Novas pessoas outra vez. Outra oportunidade! Desta vez já não foi preciso um corte completo com o passado, mas permitiu-me afastar-me daquele drama, daquele amor. E foi mais um passo...
Claro que ainda voltei a chorar baba e ranho, no semestre em Évora, aquele que eu costumo pensar como o "melhor e o pior da minha vida (académica)". Mas já não chorava por ser infeliz, chorava porque há coisas que têm que ser feitas, mas que magoam como tudo...
Hoje sou feliz. Afirmo-o com toda a certeza: EU SOU FELIZ! Mesmo quando vêm as vicissitudes da vida digo-o tantas vezes quantas sejam precisas para me convencer! Claro que tenho momentos mais tristes como toda a gente, claro que choro e bato com a cabeça. Mas esses momentos não são a imagem geral, são exactamente, momentos! Vejo a minha vida pintada de todas as cores, vejo borboletas, passarinhos, o que quiserem. Sou feliz... Por isso como dizia o Raul Solnado: "Façam o favor de serem felizes!"
Wednesday, August 24, 2011
Mat Kearney - Breathe In Breathe Out
Há músicas que me marcaram particularmente nalguma fase da minha vida. Todos temos um conjunto dessas músicas que nos dizem algo. Afinal o que é a música se não uma forma de comunicação? Comunicar sentimentos, pensamentos, alegrias, dores, dúvidas, amores... Esta é uma das músicas que significa muito para mim.
Ouvia-a quase todos os dias no autocarro, a caminho da faculdade e ajudou-me muito. Quando a minha respiração ameaçava parar com o nó que se acumulava na garganta e no estômago, quando a sensação de pânico me invadia, quando sentia que não tinha forças para voltar a um novo dia, voltar a fazer tudo de novo, encarar-te outra vez, sentar-me a teu lado e fingir que não se passava nada... Esta música lembrava-me que tinha de respirar. Tão simples quanto isso... Inspira, expira... Outra vez... Os problemas não iam embora, mas ao menos conseguia recuperar a respiração...
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